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LIBERDADE NA ESCOLA E NA VIDA

É uma coisa que sentimos necessidade: liberdade. Em todos os pontos relacionáveis, a liberdade é querida. Neste texto abriremos mão do senso comum para dizer isso.
Mas olha que coisa louca, existe liberdade e libertinagem. Já ouviu aqueles tios que falam "nessa libertinagem dos jovens e coisa e tal..."? É bom entender o que essas coisas significam e como são relacionadas com a nossa formação como indivíduo. Vamos discutir aqui sobre liberdade e autoridade. Adiantamos que autoritarismo e libertinagem não são coisas boas, são formas deturpadas de liberdade e autoridade.
A liberdade é... bem... é como o amor, talvez. Cada um tem um conceito interno definido e um sentimento intrínseco. 
Mas há também diversos filósofos que conceituam liberdade, por isso as vezes é difícil conversar sobre algo assim, porque o significado varia muito de uma autoria para outra.
A liberdade tratada neste texto é relacionada com a autonomia. É sobre como estudantes e professores se sentem e se relacionam na escola.
Em uma sala de aula, o ideal é que o estudante se sinta livre para expressar seus pensamentos e dialogar. Já com os professores é esperado que tenham autoridade para transmitir o conhecimento sistematizado. Autoridade não no sentido de mandar, isso é outra coisa, é autoritarismo e vai até contra a liberdade, partindo para o controle de pessoas e situações. A autoridade diz respeito a ter o direito, o consenso, o domínio do conhecimento que o professor tem para poder conduzir uma aula. Tudo isso envolvido por respeito. Legal não é mesmo?

O AMBIENTE ESCOLAR
A escola é o ambiente onde o conhecimento bem elaborado deve tomar movimento e nos levar a sua assimilação, ao entendimento das coisas e de pesquisa. Se há um lugar favorável para que a pesquisa possa ser incentivada, esse lugar deve ser a escola. A realidade do sistema educacional no Brasil é totalmente fragilizada. Esse processo de desqualificação da escola, dos professores não é recente, vêm da época do império ainda, e se estende até agora em 2019 e vai continuar por muito tempo, porque deve ser conveniente. Mas pense nisso, por um instante que seja: por que uma educação sem investimentos, sem prioridade é interessante? Para quem interessaria uma sociedade em que as pessoas não são críticas?
Pense nisso, esse é assunto para um outro texto. O bom é que o movimento pela  educação já começou há bastante tempo também, e temos que fazer agora a nossa parte.

SUPERANDO A DEPENDÊNCIA
A descrição do ambiente escolar foi necessária para que seja esclarecido uma coisa importante: A dificuldade  de superar alguns problemas na relação escolar são 1.000 vezes pior em uma escola que não tem condições. Parece drama e exagero, mas não dá, é uma situação desanimadora por um lado, e que provoca indignação por outro.
Vale lembrar que a escola faz parte da sociedade ainda, e que se ela estiver mal, meu amigo, a rua da escola, o bairro, a cidade, também vão estar em más condições.
Para superar tudo isso, precisamos ser críticos, precisamos ficar indignados e nos impor diante das desigualdades que vivenciamos. Se isso tudo já é difícil em um ambiente fragilizado da escola, é melhor que pelo menos os direitos básicos como a liberdade e o sentimento de liberdade sejam garantidos.

A AUTONOMIA PREENCHE COM A LIBERDADE
É isso aí! De acordo com Freire (1996) a liberdade pode ser promovida por meio da autonomia. Convenhamos, é mais fácil pensar em como ser autônomo do que em como ser livre não é mesmo?
A autonomia é estabelecida na medida que o indivíduo assume responsabilidades. Assim "a liberdade vai preenchendo o 'espaço' antes 'habitado' por sua dependência". Isto é, um indivíduo que assume responsabilidades, pode adquirir experiência e desenvolver autonomia, e com isso venha a sentir e/ou promover a sua liberdade, sua independência.
O estudante não pode se sentir preso à escola. Se for assim, o seu objetivo de liberdade vai ser sair de lá. Como professores, queremos que os estudantes tenham o objetivo de superar toda forma de desigualdade, de contradição e problematização das aulas. Seus muros de concreto, tão simples, não significam a restrição da liberdade e nem poderiam.

REFERÊNCIAS:

FREIRE, PAULO. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1996.

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